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jul
Cabelo cresce!
em BelezaTexto

Uma das memórias mais antigas que tenho é de quando minha mãe, certa vez, decidiu cortar meu cabelo. Meu cabelinho, na medida dos ombros, logo virou um corte joãozinho. Lembro-me do choro e do desespero ao me olhar no espelho após aquela “atrocidade”, pensava eu. Também creio que essa foi uma das poucas vezes que fiquei triste com um corte de cabelo, pois, mais tarde, acabei adotando uma postura mais de experimentar e tentar coisas novas no meu visual. Me tornei inquieta, gostava de ousar, se ficava durante muito tempo da mesma maneira, minha não já começava a coçar e eu tinha que tentar algo novo, sem medo. Acho engraçado todas as vezes que vou ao cabeleireiro com os cabelos enormes e vejo os olhos de espanto quando comunico que quero cortar a metade. Acho engraçado o apego ao cabelo, e para a mim a máxima sempre foi: cabelo cresce!

Na última semana me vi mais uma vez nessa situação, onde, com os cabelo já bem compridos, fui ao salão decidida a um corte na altura do queixo. O espanto do cabeleireiro e de todos no salão foi imediato. “Que corajosa!”, diziam alguns, enquanto outros exclamavam o velho conhecido “que dó!”, e o cabeleireiro? Tentou me convencer de que talvez aquele corte não ficaria como eu imaginava, pois a moça da foto estava com o cabelo arrumadinho (vide foto acima). Oras, por que o cabelo curto gera tanto tabu? Percebo um medo, ou até pavor, na mínima menção à tesoura. Joãozinho, então, nem pensar. Sei que para muitos é questão de religião, outros dizem que é onde está a feminilidade da mulher, e muito, é claro, por mera questão do padrão que nos foi imposto desde sempre pela sociedade.

Não entrarei no mérito da religião, mas em pleno século XXI delegar ao cabelo a feminilidade de uma mulher já não cabe mais. Quanto ao padrão, ele precisa mudar. Pra ser sincera, creio que ele não deveria nem existir. Que seja de cabelão, long bob, chanel, joãozinho ou até mesmo raspado, por que não? De qualquer corte ou comprimento. Cabelo não deveria definir o mulherão da porra que somos. Em tempos de empoderamento, está mais que na hora de excluirmos esse mito de que mulher tem que ter cabelo comprido, que mulher só é bonita e sexy “assim ou assado“. Não tenha medo ou dó de cortar o seu cabelo se assim quiser, corte com vontade, pois sua autoconfiança não depende dele e a de ninguém deveria.

Mas só pra te deixar tentada, trago exemplos de como o cabelo curto pode ser charmoso e te deixar tão linda quanto com cabelo comprido e que ninguém precisa ter medo, porque se não gostar, é só esperar um tempo que logo ele já vai estar compridão de novo. Aliás, estou notando uma certa tendência em Hollywood, apesar de saber que muitas das fotos são antigas, se a gente for parar pra analisar, cada dia surge uma nova curtinha por lá, e eu confesso que estou amando. Por fim, dê uma chance ao cabelo curto, experimenta se jogar qualquer dia e desapega!? Afinal, cabelo cresce!



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